Perry fala sobre Aaron nas redes sociais, “Rocks” e possível novo álbum

Entre um e outro show da Blue Army Tour, Joe Perry parou para dar uma entrevista ao site HNGN. Dentre muitos assuntos, o guitarrista falou sobre o seu filho, Aaron Perry, que agora comanda as redes sociais do Aerosmith na internet e que acompanha a banda na estrada.

Ele está fazendo um ótimo trabalho. Ficamos felizes porque ele nos dá respostas imediatas como, por exemplo, quando um amigo meu, que mora no Havaí, me mandou uma mensagem dizendo que tinha adorado a passagem de som transmitida ao vivo. Ele viu tudo a milhares de quilômetros de distância! Não é só pelo elogio, mas pelo fato de ele poder ver em tempo real.

Joe também falou um pouco sobre a sua autobiografia, “Rocks: My Life In and Out of Aerosmith”, e se Steven a leu.

Eu não sei se Steven leu. Eu ouvi várias coisas. Eu ouvi ele dizer que gostou do livro, que eu ‘tinha escrito coisas estranhas’ sobre ele e que havia gostado muito das fotos. Então, na verdade, eu não sei. Eu aposto que ele leu. Isso ou ele contratou alguém para circular as partes em que eu falo mal dele (risos).

Sobre um possível novo álbum do Aerosmith, Joe foi inconclusivo. Ele apresentou alguns fatores que podem ser razões o suficiente para não entrar em estúdio novamente. No entanto, ele revela a vontade de criar algo.

Vamos ver como essa turnê vai se sair. O principal objetivo ainda é cair na estrada, só então vamos decidir se gravar um álbum vale a pena. Francamente, os verdadeiros fãs querem músicas novas, mas a maioria se preocupa apenas com a próxima vez em que tocaremos os clássicos naquela cidade. Alguns desses clássicos podem ser canções lançadas há 20 anos, mas, para certas pessoas, essas podem ser coisas que elas nunca ouviram antes. É como disse Billy Joel: ‘por que eu deveria gastar tempo e dinheiro fazendo um novo álbum quando o que as pessoas realmente querem ouvir é Uptown Girl?’. Faz sentido. Mas sempre há a possibilidade de você criar um hit. Faz parte da expectativa de gravar um novo álbum, para mim. Gostaríamos de fazer algo novo, só não sabemos quando. Existem muitos lugares para tocar ao vivo e, francamente, eu prefiro passar o tempo na estrada, tocando em Dubai e em Cingapura do que nos trancar em um estúdio por X semanas e gravar um álbum que pode ou não criar algum impacto.

Perry ainda usou o Music from Another Dimension! (2012) como exemplo:

Metade do último álbum, para mim, é realmente um clássico do Aerosmith, só não fez sucesso. É assim que funciona o negócio e talvez as músicas não são tão boas o quanto pensamos. Por que se incomodar quando temos ‘Train Kept a Rollin”, ‘No More No More’, todas as músicas dos três ou quatro primeiros álbuns e os hits dos anos 90 que as pessoas querem ouvir? Vamos ver.

O guitarrista também comentou o novo trabalho solo de Steven e a possibilidade de tocarem alguma coisa dele nos shows das próximas turnês.

Eu espero que faça sucesso porque, sendo uma música do Aerosmith ou uma música solo, podemos tocar ao vivo. Na verdade eu disse para ele: ‘ei, quer colocar seu novo single no set?’ e ele não pareceu muito feliz com a ideia. Eu acho que, de um jeito ou de outro, isso é um lado do Aerosmith, fazendo isso sozinho ou com outra pessoa. (…) Ele vai terminar depois dessa turnê, então eu acho que teremos mais coisas dele para tocar nas próximas vezes. A banda tocou coisas minhas em alguns shows, então é tudo positivo. Não estamos tirando nada, apenas adicionando.

O jornalista que entrevistava ainda perguntou: “você acha que o rockstar – aqueles que estão nos pôsteres que as crianças colam nas paredes do quarto, como Aerosmith, Led Zeppelin e The Doors – é uma espécie em extinção?”. Perry respondeu:

Sim, eu acho. Estamos vendo o fim de uma era. Os Stones são um símbolo, estão tocando e vão continuar assim até quando puderem, mas o negócio mudou, o jeito de conseguir música, a tecnologia, tudo isso. Eu fui sortudo de poder ver o The Who tocar para uma plateia de 500 pessoas antes do festival de Woodstock, e eu fiz parte da geração de Woodstock. Eu não fui, mas metade das bandas que tocaram lá tornaram-se superstars. E nós vimos tudo isso crescer, a indústria musical crescer e os álbuns se tornarem tão importantes.
E então veio a MTV e os vídeos, que se tornaram quase tão importantes, se não mais importantes, quanto os álbuns. Claro que houveram as tendências musicais que se seguiram, muitas guiadas pelas mudanças que vimos na MTV. Houve um tempo em que eles perceberam que reality shows dão mais audiência do que vídeos. Nós estivemos lá no começo da MTV. Não queríamos criar vídeos porque não gostávamos da ideia. Pensávamos que eles tiravam o valor da canção porque cada um tem uma imagem na sua mente sobre o que aquela música se trata. Quando se faz um vídeo, parte dessa mágica se vai. Passamos por essa fase. Então os vídeos se tornaram menos e menos importantes. Chegou o Napster e as mudanças foram profundas e dinâmicas. Vimos de tudo.
A única coisa que não mudou é a vontade dos fãs de ver a banda ao vivo. As clássicas que continuam aí, como os Stones ou o Aerosmith. Os fãs querem nos ver e o resto da indústria rasteja. Todos pensam ‘se eu posso conseguir de graça, por que pagar por isso?’. (…) Alguém pode te mandar a música por e-mail ou qualquer outra coisa e a qualidade é tão boa quanto a daquela que se compra. Isso mudou tudo. E essa parte do negócio está praticamente morta. Mas, ao mesmo tempo, os fãs estão lá fora, prontos para nos ver tocar ao vivo.

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Igor Lino
Jornalista, já trabalhou na revista Exame PME, da Editora Abril, e atualmente está no Google. Apaixonado por música, livros e filmes.
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