10 músicas para quem conhece pouco o Aerosmith: parte II

A primeira lista com 10 músicas para quem conhece pouco o Aerosmith foi um tremendo sucesso. Pelas respostas, parece que realmente ajudamos algumas pessoas a irem um pouco mais fundo na extensa discografia dos Bad Boys from Boston. Sendo assim, o Rock Your Wings traz hoje mais uma dezena de canções que deveriam ser ouvidas por todas as pessoas que se interessam pelo Aerosmith. E quem não se interessaria? Eles são a maior banda da história da América! Então deixe de lado, por um momento, I Don’t Want to Miss a Thing e Crazy para ouvir esses clássicos esquecidos.

10. Fallen Angels (Nine Lives, 1997)
Steven Tyler, Joe Perry, Richie Supa

Com quase 9 minutos de duração, Fallen Angels é a música que encerra o Nine Lives, 12º álbum de estúdio do Aerosmith. Com ar psicodélico e poderosos vocais por parte de Tyler, tem aquele climão de final de filme cujo a última cena é um panorama de uma cidade com um grande rio e uma ponte charmosa em meio a tantos prédios. E logo depois vêm os créditos finais. É uma canção pra chorar e é uma canção pra sorrir, depende do momento. O fato mais doloroso: nunca foi tocada ao vivo. Grande parte do álbum foi esquecido pela banda e esta, em especial, não foi lembrada nem mesmo na turnê de divulgação. A pergunta final é: where do Fallen Angels go? I just don’t know.

09. Avant Garden (Just Push Play, 2001)
Steven Tyler, Joe Perry, Marti Frederiksen, Mark Hudson

Também é uma canção que encerra. É o ato final do Just Push Play, álbum que é visto sob olhares “tortos” por muitos dos próprios fãs da banda. Assim como Fallen Angels, Avant Garden tem um vocal extraordinário e melódico do nosso querido Steven Tyler, além de gerar aquela sensação boa que aquece o coração e acalma a cabeça. Os Bad Boys from Boston também esconderam uma pequena sobra de Under My Skin, do mesmo trabalho, no final da música: é só esperar 45 segundos após o fim que logo é possível ouvir Steven dizendo “do it, do it” e Liv Tyler sussurrando palavas indecifráveis no seu ouvido. Também nunca foi tocada ao vivo e, assim como o resto do Just Push Play (com exceção de Jaded, é claro), permanece no fundo mais escuro da caverna de músicas do Aerosmith.

08. Cheese Cake (Night in the Ruts, 1979)
Steven Tyler, Joe Perry

1979 é um ano que os membros da banda gostariam de esquecer. Foi nesta época em que, depois de torrar todo o dinheiro que a gravadora havia disponibilizado para a gravação de um novo álbum em drogas, Steven, Joe, Joey, Brad e Tom foram obrigados a entrar em turnê antes de o trabalho ser concluído. Tudo isso era uma tentativa de arrecadar mais para a finalização do vindouro Night in the Ruts. Não houveram tempos mais turbulentos no Aerosmith. No meio da tour, Joe deixou o grupo após uma briga com Steven, que também envolveu esposas e copos de leite. Antes disso, o Toxic Twin da guitarra já havia gravado Cheese Cake, deixando sua marca. Foi tocada apenas 18 vezes em toda a história, a última sendo no dia 10 de setembro de 2002 – quase 13 anos atrás. No entanto, não é de se assustar: essa fase parece ter sido apagada da memória deles.

07. Simoriah (Permanent Vacation, 1987)
Steven Tyler, Joe Perry, Jim Vallance

O maior retorno da história da música começou em 1986, quando o Aerosmith fez parceria com o Run-DMC para a gravação da nova versão de Walk This Way. No ano seguinte, os Bad Boys from Boston lançam o que seria o fim da escuridão criativa que a banda vivia nos últimos 8 ou 9 anos: o Permanent Vacation. Apesar do tremendo sucesso (o álbum vendeu mais de 5 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos, atingindo 5 vezes platina lá e no Canadá), Joe Perry admite que muito do que está neste trabalho foi uma perda de plástico, música e tempo. Nele existem canções que nunca foram tocadas ao vivo e, quando foram, muitas vezes a contagem é tão mínima que não gera nenhum impacto. É o caso de Simoriah, o plano de fundo perfeito que mostra o porquê de Steven ser chamado de “Demônio da Gritaria”. Foi apresentada apenas 2 vezes, em 16 e 20 de outubro de 1987 (o ano do lançamento). Ela acabou sendo ofuscada pelos hits top 20 Dude (Looks Like a Lady), Rag Doll e Angel.

06. Bolivian Ragamuffin (Rock in a Hard Place, 1982)
Steven Tyler, Jimmy Crespo

A página que foi rasgada do livro da vida desta banda. Assim como Joey Kramer mencionou em sua autobiografia, “o Rock in a Hard Place não é ruim, tem muitas coisas boas lá. Mas não é o Aerosmith. Somos apenas eu, Steven e Tom com dois guitarristas substitutos”. Joe Perry havia deixado a banda em 1979 e Brad Whitford também pegou a estrada logo após gravar Lightning Strikes. Essa é a parte triste da história. Mas, escutando mais atentamente e com um ar mais crítico, percebe-se que o álbum é, nada mais, nada menos, do que uma versão crua e desinibida dos membros restantes. Crespo, que ficou com o lugar de Perry durante este período, ajudou a compor o que talvez seja a melhor música do álbum: Bolivian Ragamuffin. Esta foi tocada um total de 8 vezes desde o seu lançamento, a última apresentação sendo em 4 de fevereiro de 1983, 32 anos atrás.

05. Sedona Sunrise (Devil’s Got a New Disguise, 2006)
Steven Tyler, Joe Perry, Jim Vallance

Entre 2005 e 2006, os membros da banda tiveram diversos problemas profissionais – junto à gravadora – e pessoais. A Columbia Records pressionava-os para que lançassem algo inédito para que cumprissem com o contrato, enquanto Steven fazia cirurgia na garganta e Tom batalhava contra um câncer. Sem tempo e sem material o suficiente, o Aerosmith resolveu lançar mais uma coletânea, dessa vez com duas músicas inéditas. Devil’s Got a New Disguise, que, por si própria já é subestimada (tocada apenas 21 vezes desde o lançamento), e Sedona Sunrise. Nunca tocada ao vivo, Sedona tem um ar pacífico e melódico, com guitarras fortes e aparentes, apesar do clima calmo. Trilha sonora perfeita para uma tarde na rede de um interiorzão americano. A gaita, presença marcada, comprova.

04. The Grind (Honkin’ on Bobo, 2004)
Steven Tyler, Joe Perry, Marti Frederiksen

Honkin’ on Bobo é o álbum de covers que o Aerosmith fez para prestar tributo aos artistas que influenciaram a carreira deles durante muito tempo. Na verdade, a ideia era lançar um material inteiro com inéditas, mas as turnês e a falta de tempo levaram o trabalho para um outro lado. Gravado inteiramente ao vivo, Honkin’ conta com apenas uma canção inédita: The Grind. Ela é a balada do álbum, destacando-se das demais por misturar o ar dos anos 90 que o Aerosmith adquiriu, com o blues, base da qual o grupo foi construído. Foi tocada ao vivo apenas 2 vezes, no Japão, em 2004. O mais intrigante é que ela fez parte de um comercial muito bem falado da Sony, que lançava, na época, a marca Cyber Shot de câmeras fotográficas. Nem por isso é lembrada.

03. Lick and a Promise (Rocks, 1976)
Steven Tyler, Joe Perry

Um álbum como o Rocks não pode ser ignorado. Infelizmente, parece que os criadores desta obra prima são os principais responsáveis por isso. Nas apresentações ao vivo só sobraram Back in the Saddle, Last Child e Combination. No entanto, lá existem músicas simplesmente perfeitas, capazes de influenciar gerações por vir e gerações passadas. Clássicos como Nobody’s Fault (já citada na lista anterior) e Lick and a Promise. Enquanto a primeira fala sobre como o mundo é sujo e como estamos cavando nossa própria cova, a segunda tem um tema descontraído e fala sobre como fazer um bom show e deixar a “plateia gritando por mais”, como dizem as letras. Lick começa com Joey quebrando a bateria, com as guitarras entrando logo em seguida e Steven, com aquela voz inconfundível, provando, mais uma vez, que é uma das maiores lendas que a música já viu. Ah! A contagem? Apenas 133 apresentações ao vivo, a última em 2012.

02. Adam’s Apple (Toys in the Attic, 1975)
Steven Tyler

Mais de 8 milhões de cópias vendidas. Esse é o número que Toys in the Attic fez, nos Estados Unidos. O álbum com, provavelmente, maior luz dos membros da banda, é reverenciado pela mídia e por outros músicos. A música-título, Sweet Emotion e Walk This Way ofuscaram as colegas do tracklist, mas No More No More e Big Ten Inch Record sobreviveram bem ao lado delas. Adam’s Apple, pelo contrário, foi gradualmente esquecida no tempo. Tem apenas 36 apresentações ao vivo (menos de 10 para cada década desde o lançamento). 40 anos depois, o Aerosmith atiça os fãs e ensaia a canção antes de um show da Blue Army Tour. Apenas ensaio: não aparece em um setlist desde 2009.

01. Voodoo Medicine Man (Pump, 1989)
Steven Tyler, Brad Whitford

Com 129 apresentações, esse clássico não é tocado ao vivo há 25 anos. Em sua maior parte creditada ao gênio Brad Whitford, Voodoo Medicine Man capta o que falta nos hits top 10 Love in an Elevator, The Other Side e What It Takes: o pesado e grave vocal rouco de Tyler explodindo em falsetes, gritos e agudos ferozes que só ele sabe fazer. O riff marcante e a bateria agonizam em seus ouvidos a cada instante enquanto a linha de baixo deixa tudo em ordem, como sempre. Tudo nesta música é excepcional. Não há porque deixá-la de fora dos setlists, há? Junto de Janie’s Got a Gun, Voodoo apresenta o lado obscuro do Pump: canções liricamente intrigantes e musicalmente perfeitas. A abertura instrumental, com Steven sussurrando palavras enquanto a guitarra invertida é tocada, é digna de um filme de terror. Dos bons. Dos ótimos. A finalização, entrando na balada que fecha o álbum, não poderia ser mais satisfatória. E é assim, fácil, que Mr. Whitford consegue o respeito de cada vez mais fãs mundo afora.

E é isso, galera! Gostaram desse top 10? Alguma música que esquecemos e que deveria estar na lista? Deixe-nos saber! Quem sabe não faremos uma parte III? Esperamos que esse post os ajude a se aprofundar cada vez mais na extraordinária discografia dos Bad Boys from Boston. Até a próxima!

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Igor Lino
Jornalista, já trabalhou na revista Exame PME, da Editora Abril, e atualmente está no Google. Apaixonado por música, livros e filmes.
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