Steven explica polêmica e Trump ironiza no Twitter

Steven Tyler falou, pela primeira vez, sobre a polêmica que envolveu ele e o candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump. Em carta aberta publicada no Huffington Post, o cantor explicou o porquê de ter exigido que Trump parasse de usar Dream On (Aerosmith, 1973) em suas campanhas políticas e o que ele quer mudar na lei de direitos autorais (copyright). Veja tudo o que o vocalista do Aerosmith tem a dizer:

Nesta semana eu enviei uma carta à campanha de Donald Trump pedindo que não usassem minha música em eventos políticos. Minha intenção não foi posicionar-me politicamente, e, sim, posicionar-me quanto aos direitos dos meus colegas criadores de música. Mas venho fazendo isso já há algum tempo.
Em fevereiro eu me tornei um dos fundadores do GRAMMY Creators’ Alliance. O grupo junta grandes nomes da música, não por nós mesmos, mas por escritores e artistas que estão por vir. Para trazer esperança. Para tentar mudas as leis que estão dificultando o negócio da música. Para ter certeza de que escritores e artistas possam praticar sua arte sem correr risco de extinção. Para ter certeza de que aqueles que praticam o seu ofício sejam pagos justamente quando outros usarem o seu trabalho.
Eu não estou sozinho neste esforço para trazer mudanças. Hoje, mais de 1,650 músicos e escritores irão visitar os membros de seu congresso local em seus escritórios como parte do nosso programa de formação. GRAMMY é o meu distrito.
Há grandes mudanças ocorrendo agora na reforma dos direitos autorais e na forma como os fãs pagam por música e consomem música, resultado das enormes mudanças tecnológicas. Essas mudanças podem ser coisas boas para os escritores e os novos artistas se formos pagos justamente por aqueles que fazem dinheiro utilizando o nosso trabalho. Todo mundo merece ser capaz de pagar as suas contas, ajudar suas famílias e fazer o trabalho que ama. Muitos não podem porque estamos sendo roubados por novas e velhas companhias de tecnologia.
Agora, eu não culpo todas as novas tecnologias. Algumas são muito legais. Você pode ouvir música onde quer que estiver, fazer suas próprias playlists e ouvir o que quiser, quando quiser. Isso é poderoso e ao menos estão pagando alguma coisa aos criadores! As velhas companhias de tecnologia não pagam nada aos artistas, nem um centavo! E eles estão pagando aos escritores o mínimo que a lei diz que devem pagar.
As leis precisam mudar. Nós temos muitas leis nos Estados Unidos que controlam como somos pagos por nossa música. 75% do rendimento dos escritores nos EUA é controlado pelo governo? Muita intervenção do governo na arte é uma coisa ruim.
Assim como minha colega de gravadora, Taylor Swift, escreveu uma carta à Apple em junho, esta é a minha carta aberta a todos. Precisamos de mudança. Escritores, produtores e artistas não podem sobreviver com o que estão sendo pagos.
Eu recebi uma grande lição nesses dois últimos anos quando eu comecei a estudar as leis de direitos autorais. Eu descobri que existia um movimento em Washington que excluiria aprovações importantes dos artistas e escritores para uso derivado de seu trabalho. Quando fiquei sabendo dessa ideia maluca, escrevi uma carta oficial e a enviei para o pessoal em Washington D.C. junto de alguns de meus amigos com Don Henley e Joe Walsh, do Eagles, deadmau5, Britney [Spears], Dr. Dre e Sting, explicando o porquê de isso ser uma ideia ruim. Não tem a ver com uso derivado, tem a ver com artistas e escritores perdendo o controle sobre o seu trabalho e não sendo pagos justamente quando alguém os usa. Mais do mesmo, eu pensei. Me ensinou que os criadores têm de ficar atentos e lutar pelos seus direitos.
Depois disso, fiz uma viagem à D.C. onde me encontrei com membros importantes do Congresso e expliquei o quão devastador é para os artistas e escritores quando eles perdem o controle sobre como sua música é usada. Muitas das pessoas com as quais conversei no Congresso ficaram chocadas em saber que isso é algo que realmente incomoda músicos e escritores. Alguns até mudaram seus pensamentos, tudo porque mostramos como nos sentimos.
Em D.C. eu me encontrei com o congressista Bob Goodlatte, da Virginia. Esse cara realmente entende! O distrito dele, Blue Ridge Mountains, é a casa de grande artistas e escritores. Ele acredita que as leis precisam ser mudadas para que escritores e artistas sejam pagos de forma justa, e ele está fazendo algo quanto a isso. Goodlatte foi pessoalmente a 20 audiências sobre a reforma na lei de direitos autorais nos últimos dois anos, abrindo um fórum para que a voz dos criadores pudesse ser ouvida.
Na quarta-feira, a nossa voz irá soar novamente. Trezentos e cinquenta membros do Congresso irão ouvir batidas em suas portas de pessoas que fazem música. Elas estarão lá para deixar uma mensagem bem clara deles e de todos os criadores do mundo. É hora de mudança.
Sabemos que vocês amam a nossa música. Agora é a hora de nos mostrar este amor apoiando a nossa causa que é mudar a obsoleta lei de direitos autorais, acabar com o padrão governamental de compensação ao artista e certificando-se de que os criadores serão pagos justamente quando outros negócios usarem o nosso trabalho.

Ainda sobre a polêmica com Donald Trump, o candidato republicano fez dois posts em sua conta oficial no Twitter ironizando o fato de Steven ter exigido que Dream On fosse retirada de sua campanha. Veja:

No ano passado, Steven participou de um evento da National Music Publisher’s Association que pedia uma mudança na lei de copyright dos Estados Unidos. Ele apresentou algumas músicas acústicas junto de sua banda de apoio, Loving Mary. Veja o vídeo a seguir.

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Igor Lino
Jornalista, já trabalhou na revista Exame PME, da Editora Abril, e atualmente está no Google. Apaixonado por música, livros e filmes.
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