Joe Perry dá entrevista sobre shows e turnês

No início da Blue Army Tour que aconteceu este ano, Joe Perry concedeu uma entrevista ao site Live Nation TV onde contou as melhores e as piores experiências que já teve em turnês do Aerosmith, além de explicar o porquê de os shows de 2015 serem marcados por lugares e cidades menores. Veja:

Qual foi a ideia por trás de tocar em lugares menores e inesperados durante a Blue Army Tour?

Quando fomos ficando velhos, passamos a ter de escolher a dedo a maioria das datas para atingir a maior quantidade possível de fãs. Nós não podemos mais fazer cinco shows por semana com a idade que temos, e só podemos voltar às casas grandes por tantas vezes. Então, neste ano ou dois, vamos passar tocando em lugares secundários – alguns dos lugares nos quais tocamos durante os anos 70 e alguns lugares nos quais nunca tocamos porque eles não tinham uma casa grande o bastante na época. Muitos desses lugares agora têm uma casa na qual podemos tocar e isso tem sido ótimo. É muito divertido para nós porque temos milhões de pessoas que só nos viram uma vez ou que nunca nos viram.

A banda já teve muitos palcos durante os anos. Qual foi o seu favorito?

O palco secundário que tivemos durante a turnê do Just Push Play que ficava próximo aos assentos do gramado. Eu pensei, ‘se pudéssemos subir lá, eu garanto, mais pessoas iriam querer vir aos nossos shows’. Eu me lembro quando pensava em como poderíamos chegar ao gramado. Colocamos alguns roupões e nos escondemos ou nos esgueiramos por trás? Então meu pensamento foi, ‘por que não fazer isso ser parte do show e ter como um evento a gente saindo do palco pela frente, passando pelo meio da plateia e subindo ao segundo palco?’ Ideias vêm de todos na banda, seja para o título de um álbum ou qualquer outra coisa.
Demorou um pouco para isso passar pela direção e pelos outros caras. Eu tive uma briga com o meu manager porque ele disse, ‘bem, vai te custar isso… vamos ter de trazer um outro ônibus. Vamos ter que trazer um novo set de equipamentos.’ Mas eu disse, ‘sim, mas as pessoas que estão longe, no gramado, vão poder nos ver a 3 metros de distância!’ Os caras ficaram, ‘e o que tem de legal nisso?’ Eu disse, ‘bem, apenas veja. Vamos apenas tentar.’
Então passamos por tudo isso e saímos por lá. Pareceu perigoso. Nós estávamos totalmente cercados por guardas, mas estávamos sendo puxados. Nem podíamos trazer nossas guitarras conosco porque tínhamos medo de que elas desafinassem e porque precisávamos de nossas mãos para nos proteger. Uma vez que conseguimos subir ao palco, foi rápido. Tocamos as músicas que achávamos serem apropriadas e depois voltamos. Na saída, tínhamos câmeras que mostravam no telão o caos que era quando íamos para o palco – foi isso que tornou tudo muito legal. A plateia estava nos vendo indo para lá, sendo agarrados e puxados. Eu gostaria de ter visto, mas estava muito ocupado tentando me proteger.
Depois daquela primeira vez, eu estava voltando para o palco principal e pensando, ‘os caras vão me matar.’ Mas todo mundo amou. Eles acharam ótimo porque podíamos tocar para os assentos do gramado e pegar na mão dos fãs na saída. Em menos de duas semanas, vimos um salto na venda de ingressos dos assentos do gramado porque a notícia de que íamos para lá se espalhou.
Essa foi uma coisa na qual eu realmente acreditava que tentei e que acabou saindo muito bem. Eu adoraria fazer isso de novo. Você precisa fazer durante a turnê inteira para funcionar porque você vai trazer os caminhões extras, as luzes extras, e todo o equipamento. Essa foi uma das minhas turnês favoritas, sem dúvida alguma.

Existiu algum aspecto do palco que vocês tentaram durante os anos mas que nunca deu certo?

Nós fomos uma das primeiras bandas a ter um suporte móvel de luzes. Tornou-se um padrão hoje em dia, mas lá atrás nós fomos um dos primeiros a fazer isso. Quando a banda voltou em 84, nós gastamos uma grana para ter um suporte móvel que era cheio de peças e que deveriam se juntar e formar um grande ‘A’ no palco no final do show. Eu lembro que gastamos muito dinheiro nele, tinha muita tecnologia customizada e, na pré-produção, quando realmente nos mostraram como ficou, o negócio todo aconteceu em cinco minutos. O suporte estava no caminhão indo pra casa duas semanas depois. Foi uma péssima ideia. Foi um erro que custou 500,000 dólares.

O Aerosmith tem um catálogo tão extenso e muitas gerações de fãs. Qual é o segredo para agradar os fãs mais velhos e também atrair a atenção de plateia mais jovem?

Nós colocamos um setlist na parede da última vez em que tocamos na casa, um setlist do último show, e um setlist dos ensaios com músicas que talvez queiramos tocar – e então debatemos. Se alguém sugere alguma música no meet and greet, por exemplo, nós podemos acabar tocando-a. E então tem o set principal – músicas que sabemos que precisamos tocar. Acho que precisamos tocar ‘Dream On’ toda noite. E nós não ligamos porque sabemos que os fãs amam e a maioria das pessoas ficariam desapontadas se não a tocássemos. Nós pegamos o máximo de informações possível das internet e das redes sociais.

Você já fez alguma decisão no meio do show, jogando no setlist uma música mais antiga?

Tem algumas que a gente faz sem previsão. É ótimo poder começar a tocar o riff de alguma música e ouvir a plateia reagindo a isso e depois a banda toda entrando na brincadeira. É isso que fazemos. Não temos fogos de artifício, não temos lasers, mas vamos lá e tentamos fazer mágica com as guitarras e os vocais.

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Igor Lino
Jornalista, já foi estagiário da revista Exame PME, na Editora Abril, e atualmente é colaborador do site Salada de Cinema. Apaixonado por WWE e, claro, Aerosmith.
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