10 músicas que o Aerosmith deveria tocar no Brasil em 2016

Toda banda tem aqueles hits únicos e incomparáveis que nunca podem faltar em um show ao vivo, não importa onde este seja realizado. O Aerosmith tem uma porção deles, mas os que marcam presença nos setlists praticamente desde que foram lançados são Dream On (Aerosmith, 1973), Walk This Way, Sweet Emotion (Toys in the Attic, 1975), Love in an Elevator (Pump, 1989), Cryin’, Livin’ on the Edge (Get a Grip, 1993) e I Don’t Want to Miss a Thing (Armageddon: the Album, 1998). Vá a um show dos Bad Boys from Boston e pode ter certeza que essas músicas não faltarão. Mas, mesmo com um catálogo tão extenso, a banda continua a mudar muito pouco em suas apresentações. Geralmente, eles completam as demais lacunas com Toys in the Attic (Toys in the Attic, 1975), Last Child (Rocks, 1976), Rag Doll, Dude (Looks Like a Lady) (Permanent Vacation, 1987), Jaded (Just Push Play, 2001) e Stop Messin’ Around (Honkin’ on Bobo, 2004).
A última turnê do grupo pelo Brasil foi há quase três anos. Com shows em Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, a reta final da Global Warming Tour foi quase idêntica em quase todas as quatro cidades. Os fãs brasileiros, é claro, são os melhores do mundo, então temos ânsia de ouvir clássicos e outros hits que o Aerosmith insiste em manter fora de seus setlists. Já que Brad Whitford, Joey Kramer e Buck Johnson disseram que a banda provavelmente passará por aqui em 2016, resolvemos listar 10 músicas que eles deveriam tocar em uma futura passagem pelo país verde e amarelo. Dá só uma olhada:

10 – Rats in the Cellar (Rocks, 1976)
Steven Tyler, Joe Perry

Um clássico de um maiores álbuns da história da música, Rats in the Cellar não é bem “injustiçada” já que, vez ou outra, os Bad Boys from Boston resolvem tirar essa carta da manga e lançar no setlist de uma parte de certa turnê. Foi assim em 2012, quando apareceu em 10 shows seguidos, e em 2014, aparecendo em 11. Sendo assim, não é uma canção difícil para o Aerosmith tocar – e não necessita de muita coisa além da própria banda e seus instrumentos. A jam que o grupo normalmente faz, ao fim, conta com um trecho “escondido” de Dazed and Confused, do Led Zeppelin, e estende a música em mais do que o dobro de seu tempo original: dos 4 minutos, ela passa a ter 9. Nunca foi tocada no Brasil, mas Steven reconheceu o cartaz de um fã em Curitiba que pedia Rats fervorosamente.

09 – Home Tonight (Rocks, 1976)
Steven Tyler

E completa, por favor! Ok, sonhos à parte, Home Tonight também é figurinha de Rocks e, nos últimos anos (desde que o piano foi introduzido nos shows do Aerosmith), Steven tem tornado comum a adição de um pequeno trecho da música antes de Dream On. É praticamente impossível ouvi-la completa ao vivo, já que a banda nunca a tocou e Tyler pouco lembra da letra – que foi escrita por ele mesmo. O argumento de que ele poderia ler tudo nos teleprompters espalhados pelo palco caem por terra quando o vocalista não consegue ver o que está lá por ficar sentado no piano durante esta parte da apresentação. Mas podemos ficar com o pequeno trecho sem reclamar. Isto é, se acontecer. Em 2013, Steven presenteou os fãs de Curitiba com uma performance idêntica a do vídeo acima. No Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília não foi visto o mesmo: os trechos foram de Will You Still Love Me Tomorrow (cover de Caroline King), Chopsticks (uma música tradicional americana) e Angel (Permanent Vacation, 1987), respectivamente.

08 – Let the Music Do the Talking (Done With Mirrors, 1985)
Joe Perry

Depois de passar quase 10 anos enterrada, a banda voltou a tocar essa música no apoteótico show do dia 11 de agosto de 2013, no Japão. Naquela época, o Aerosmith recebeu um cheque de U$300,000,00 para dar um refresh em seu setlist. O superfã Nobu, que pagou a quantia, escolheu, também, Kings and Queens (Draw the Line, 1977), Beyond Beautiful (Just Push Play, 2001), Full Circle (Nine Lives, 1997) e F.I.N.E. (Pump, 1989). Desde então, a canção tornou-se um truque resgatado do passado, sendo lançada no setlist outras 7 vezes naquele mesmo ano. Novamente, Curitiba foi a agraciada parte do Brasil, que teve o show no BioParque sendo aberto com energia pura ao som de Let the Music. Em 2015 foram mais 5 apresentações, ou seja, não é nada difícil para os Bad Boys ensaiarem e tocarem ela mais uma vez em terras tupiniquins.

07 – F.I.N.E. (Pump, 1989)
Steven Tyler, Joe Perry, Desmond Child

Quando chamamos Nobu de “superfã” não estamos superestimando o japonês. Ele já foi a centenas de shows do Aerosmith – marcando presença no de 2013 em São Paulo – e, mais recentemente, participou do DVD Rock for the Rising Sun, que mostra a trajetória da banda na turnê de 2011 pelo Japão. Ele sabe o que a Blue Army quer e precisa. Quando ele pagou 300 mil dólares ao grupo para que eles mudassem 5 músicas de seu setlist, valeu muito a pena. F.I.N.E., que não aparecia desde 2002, teve um total de 4 apresentações naquele ano. Em 2015, uma única aparição em Hidalgo, no Texas. Não é lá complicada de se tocar, mas precisa de ensaios (o que os membros já fazem naturalmente, antes de toda turnê). É cheia de energia e serve até mesmo como música de abertura, o que mudaria o eixo Eat the Rich (Get a Grip, 1993) – Love in an ElevatorBack in the Saddle (Rocks, 1976) que os acompanha sempre. Outro fato: se tocada em 2016, seria sua estreia em palcos brasileiros.

06 – Walkin’ the Dog (Aerosmith, 1973)
Rufus Thomas

Poucas bandas conseguem transformar um cover e fazer ele ser melhor do que a canção original. O Aerosmith sabe o que faz quando grava ou apresenta uma música que não é deles. Na verdade, se você não conhece muito bem a história da música, Train Kept a Rollin’ (Get Your Wings, 1974), Remember (Walking in the Sand) (Night in the Ruts, 1979) e Love Me Two Times (Young Lust: the Aerosmith Anthology, 2001) poderiam te passar despercebidas como “canções do Aerosmith”. Com Walkin’ the Dog é a mesma coisa: não é deles, mas tornou-se um marco na carreira do grupo. Desde o início dos anos 70 pode-se encontrá-la nos setlists e, como na apresentação na frente do hotel onde tudo começou (vídeo acima), eles acertam na mosca todas as vezes. Em 2014 e em 2015 foram 5 apresentações, cada. Não é pedir demais um pedacinho dessa história aqui no Brasil, né?

05 – Lover Alot (Music from Another Dimension!, 2012)
Steven Tyler, Joe Perry, Tom Hamilton, Brad Whitford, Joey Kramer, Jesse Kramer, Marti Frederiksen

Lover Alot é, talvez, a música mais atrevida do MFAD!. Ela trabalha com o clima pesado dos anos 70 e com a rapidez que se faz necessária depois de tantas baladas que se ouvem no álbum de 2012. Mesmo sendo um single, foi tocada apenas 20 vezes, no total. O Aerosmith estava decidido a tocar mais músicas de seu último álbum durante a parte sul americana da Global Warming Tour mas, devido a problemas de saúde até hoje não revelados, Tom Hamilton teve de deixar a turnê logo depois do show de San Salvador, no dia 6 de outubro. Até então eles estavam tocando Oh Yeah e Lover Alot, ambas do mesmo disco. Com David Hull substituindo-o, a banda decidiu tirar Lover do setlist, colocando Pink (Nine Lives, 1997) em seu lugar. Já que ela foi derrubada logo antes do grupo entrar no Brasil, que tal relembrar o já esquecido Music from Another Dimension!? Atualmente, nenhuma das músicas do álbum é tocada nos shows.

04 – Crazy (Get a Grip, 1993)
Steven Tyler, Joe Perry, Desmond Child

Afinal de contas, quem somos nós para julgar quem gosta mais das baladas açucaradas da maior banda da história do rock norte americano? Não foram elas que deram uma nova vida ao grupo nos anos 90? E qual melhor música para representar essa fase do que Crazy? Mesmo sendo um dos tremendos sucessos do grupo, essa canção só foi tocada cerca de 75 vezes na história. Para se ter uma ideia, até mesmo as “desconhecidas” Voodoo Medicine Man (Pump, 1989), Bone to Bone (Coney Island White Fish Boy) (Night in the Ruts, 1979) e S.O.S. (Too Bad) (Get Your Wings, 1974) foram tocadas mais vezes – 129, 147 e 180, respectivamente. Se atrair algumas pessoas que pouco conhecem o Aerosmith, deixa que elas venham. No show passarão a conhecer mais. É uma grande atração e traz público, coisa que todo artista precisa em apresentações ao vivo, certo? É claro que Steven não alcança mais as notas altas da música como costumava fazê-lo até há dez anos atrás, mas quem liga? Ele não tem mais nada a provar a mais ninguém. Tivemos apenas 2 apresentações completas dela aqui no Brasil, ambas em 2010, em Porto Alegre e em São Paulo. Fora isso, apenas pequenos trechos durante os shows de Curitiba, Rio de Janeiro e Brasília, em 2013.

03 – Kings and Queens (Draw the Line, 1977)
Steven Tyler, Brad Whitford, Tom Hamilton, Joey Kramer, Jack Douglas

Pergunte para todo e qualquer fã do Aerosmith: Kings and Queens deveria ser fixada nos setlists da banda para nunca mais sair. A obra prima do Draw the Line tem uma profunda crítica social e fala sobre sacrifícios na era medieval. A guitarra gritante, a tocante linha de baixo e os gritos de Tyler combinam perfeitamente de maneira que, ao vivo, é uma das canções em que se para, de queixo caído, apenas observando. Observando as lendas no palco realizarem seu trabalho. Com injustas 44 apresentações ao vivo, são poucos os membros da Blue Army que podem dizer já ter ido a um desses shows. Sortudos os que estiveram no Palestra Itália em 29 de maio de 2010 – única vez em que a banda tocou Kings and Queens no Brasil. De 2013 pra cá (quando Nobu pagou pela canção), tem aparecido mais: 20 vezes apenas em 2014. Não há desculpa para não presentar-nos com ela, não é mesmo? Melhor ainda quando vem acompanhada de Toys in the Attic, como no vídeo acima.

02 – Freedom Fighter (Music from Another Dimension!, 2012)
Joe Perry

A parte do show em que Joe Perry toma o microfone para si precisa de uma séria reforma. Nos últimos anos o eixo não tem saído do lugar: sempre Combination (Rocks, 1976) ou Stop Messin’ Around. Em 2014 a banda começou a tocar Freedom Fighter, do MFAD!, durante sua turnê europeia – a apresentação no Download Festival até aparece no DVD Rocks Donington 2014. No entanto, Perry estava insatisfeito com a sua performance: erro das letras e falta de afinação. O fato é que ele poderia fazer a diferença, em uma parte da turnê cantando Walk On Down (Get a Grip, 1993), em outra Falling Off (Nine Lives, 1997) e em outra Bright Light Fright (Draw the Line, 1977), mas ele não o faz. Se pudéssemos escolher, ficaríamos com a mais nova, ótima canção com letras fortes. Joe não é um cantor, é um guitarrista. Sendo assim, ele tomando a frente de uma música faz parte do show, apenas. Como dito na posição de número 04, ninguém do Aerosmith tem mais alguma coisa a provar. Eles são a maior banda americana de rock de todos os tempos, e nós os amamos do jeito que são.

01 – Full Circle (Nine Lives, 1997)
Steven Tyler, Taylor Rhodes

E por que não? Full Circle é uma das favoritas no catálogo de todo fã do Aerosmith. A letra faz todo o sentido do mundo e a música em si traz uma sensação boa, de que tudo está completo – bem como diz o título. Além dos instrumentos de cada membro, são usadas outros, mais complexos, que precisariam de uma atenção especial. Mas é inegável que essa canção poderia encerrar qualquer show com chave de ouro: é um círculo completo. No entanto, a banda passou 13 anos sem tocá-la (a última sendo na virada do ano e do século, no Japão, em 1999), aparecendo apenas mais uma vez, em 2013, por causa do herói Nobu. Circle só foi vista ao vivo um total de 49 vezes, o que dá um aperto no coração de saber que essa é a posição mais impossível de se acontecer nesta lista. Mas a esperança é a última que morre.

Se tem alguma outra música que você acha que os Bad Boys from Boston deveriam tocar numa futura vinda ao Brasil em 2016, deixe-a nos comentários. Tentamos trabalhar com as mais “possíveis” de se realizarem, então podemos sempre pedi-las pelas redes sociais. Vamos torcer para que a previsão de 2016 se concretize e, até lá, Dream On!

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Igor Lino
Jornalista, já trabalhou na revista Exame PME, da Editora Abril, e atualmente está no Google. Apaixonado por música, livros e filmes.
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